Não me dirijo aqui a ninguém em especial. Apenas reporto a minha experiência ao ser injuriada por alunos, os quais, usando o Orkut para atingir seus objetivos mesquinhos do ponto de vista de retidão de caráter, criaram uma comunidade para atacar minha imagem, dignidade pessoal e reputação profissional. Deixo meu registro como Educadora, a qual está no Magistério há mais de 30 anos e, por conseguinte, vem testificando a degradação dos valores básicos de respeito ao próximo ou mesmo da simples e infalível (se presente) educação doméstica.
Igualmente abro este espaço para que pessoas interessadas no tema, ou aquelas que foram vítimas do cyberbullying aqui se manifestem. Trocar idéias, experiências, linhas de ação certamente munem as vítimas de conhecimentos acerca de que caminhos tomar.
O DEBATE ESTÁ ABERTO
Em outubro de 2009 tive conhecimento da comunidade criada para me injuriar. Informei a escola e exigi que ela tomasse alguma providência. Uma reunião foi marcada com o corpo de direção e os responsáveis do aluno mentor do crime. A reunião findou com a determinação da imediata exclusão da página, o que foi feito em 14/10/09. A outra medida foi denunciar o caso junto a DRCI (Delegacia de Repressão a Crimes na Internet). A investigação não logrou sucesso esperado, tendo sido o IP enviado ao X Juizado Especial Criminal - X JECRIM -, Rio de Janeiro. Como se trata de ação privada, apresentei queixa-crime em face dos 3 alunos que, em regime de cooperação, usaram de palavras ofensivas a minha dignidade na referida comunidade.
As ações no cível não tardarão, tendo a em face da empresa Google já sido distribuída. A audiência de conciliação está marcada para 04/10/10.
Há vasta jurisprudência sobre esse tipo de crime virtual, em que a gigante Google não consegue convencer Juiz algum de sua presumida inocência dentro da Teoria do Risco do Empreendimento. Tanto o Código do Consumidor quanto o CCB são de transparência solar no que tange à responsabilidade objetiva da empresa host Google pelos crimes praticados no site de relacionamento Orkut. Para maiores informações sobre o tema, leia:
http://telmabr.blogspot.com/
Todavia, o que me causou imensurável asco foi a reação da mãe deste aluno na reunião. Em total postura de deboche e de reproche a minha decisão de processar o `menino dela`, eis que esta revela a raiz do caráter do filho:
[…] tenho uma loja e não posso vir a escola para reuniões de pais, nem para pegar o boletim dele [..];
[…] A senhora não acha que, como educadora, deveria perdoar meu filho? A senhora não é educadora? Ele é um bom `menino`, blá blá blá.
A inversão de valores associada a `lavo minhas mãos - toma que o educando é seu` - têm feito de muitos pais, perdão o termo, o estrume do pensamento dos filhos.
Portanto, independente da condição social de quem quer que tenha sido vítima desse crime virtual, as ações precisam ser reais. Esperar que instituições mudem o cenário de nossa sociedade atual é o mesmo que esperar que as mesmas se tornem pessoas física gozando de cidadania nesse país. Em outras palavras, somos nós que temos que agir e, assim o fazendo, mostrar aos poucos afeitos ao bom convívio social que a sociedade não pode ser reduzida a palco de suas incúrias morais.
Direito lesado??? Discussão na sociedade e AÇÃO (em oposição à omissão) no Judiciário!!